De tanto querer
Já não sei o que quero
Não sei se ainda quero
Pois já não sei o que é querer
Que entre frases ditas
Se perdem as palavras
Perdendo o tempo
Dizendo nada
E de nada servem as horas
Se não há destino nem chegada
Nem chão por onde andar
Nem tempo... Nem palavras
Nem sem eles há vontade
Pois de que serve a palavra
Ficando esta por dizer
Por fim dizendo nada
E de menos serve o tempo
Se por ser
Somos o que seremos
E o que seremos é apenas pó
Se já nem as lágrimas falam
Se os corpos já se fazem mudos
Se a luz para a noite caminha
E antes da noite já tudo se acaba
Sem qualquer dor ou grito de ódio
Julgando que em silêncio não se sofre
Sendo verdade essa mentira
Sendo o ódio para lá de ilusão
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