Eram apenas dois estranhos quando entraram naquela sala....
Quando seus olhos se tocaram naquele espaço barulhento e confuso de gente, mas onde apenas um no outro notaram, em silêncio...
Na mente dos dois, mil pensamentos do que diriam aquela pessoa que tanto ansiavam conhecer... E sem notar, seus corações saltavam com mais vontade....
Na cabeça dela: as histórias que teriam para partilhar, os risos que podiam rir juntos, as conversas que juntos passariam o tempo...
Na cabeça dele: o quão doce soaria a sua voz, ou como seria ainda mais belo o seu tímido sorriso visto mais de perto....
Mas não passou disso, um intenso tocar de olhos e duas pessoas estranhas, numa sala cheia de gente....
Até á hora de sair... Até se cruzarem na porta estreita que aos poucos os aproximava.....
E naquele momento, naquele momento em que se cruzam e os olhos se tocam mais de perto....
Ele quer chama-la.... Não sabe o nome, mas sente o seu aroma.... E as palavras não saem... O medo não deixa.... O medo de que aquelas intensas trocas de olhares tenham sido acidentais apenas... Medo que ela diga apenas «Não»....
Ela quer perguntar o seu nome... Mas aquele aperto no coração não deixa... E a cabeça apenas diz que talvez seja um erro.... A ideia de que seria mais uma apenas... O receio de que seja só mais uma noite....
E tão depressa como se cruzaram, pelo outro passaram, seguindo mais uma vez para casa, em mais uma noite.
Uma noite em que a insónia traz o pensamento do que podia ter sido. Do que seria diferente. E perguntas.... Muitas perguntas ás quais o medo que deles se apoderou horas antes nunca deixará o Destino responder.
Agora, com o sol já lá em cima, é apenas mais um dia....
São apenas duas almas com os mesmos medos, os mesmos demónios, o mesmo vazio, que de noite se enchia de cobardia e agora só de arrependimento.
São apenas dois estranhos
Há cães a divagar
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Mais um fim...
De tanto querer
Já não sei o que quero
Não sei se ainda quero
Pois já não sei o que é querer
Que entre frases ditas
Se perdem as palavras
Perdendo o tempo
Dizendo nada
E de nada servem as horas
Se não há destino nem chegada
Nem chão por onde andar
Nem tempo... Nem palavras
Nem sem eles há vontade
Pois de que serve a palavra
Ficando esta por dizer
Por fim dizendo nada
E de menos serve o tempo
Se por ser
Somos o que seremos
E o que seremos é apenas pó
Se já nem as lágrimas falam
Se os corpos já se fazem mudos
Se a luz para a noite caminha
E antes da noite já tudo se acaba
Sem qualquer dor ou grito de ódio
Julgando que em silêncio não se sofre
Sendo verdade essa mentira
Sendo o ódio para lá de ilusão
Já não sei o que quero
Não sei se ainda quero
Pois já não sei o que é querer
Que entre frases ditas
Se perdem as palavras
Perdendo o tempo
Dizendo nada
E de nada servem as horas
Se não há destino nem chegada
Nem chão por onde andar
Nem tempo... Nem palavras
Nem sem eles há vontade
Pois de que serve a palavra
Ficando esta por dizer
Por fim dizendo nada
E de menos serve o tempo
Se por ser
Somos o que seremos
E o que seremos é apenas pó
Se já nem as lágrimas falam
Se os corpos já se fazem mudos
Se a luz para a noite caminha
E antes da noite já tudo se acaba
Sem qualquer dor ou grito de ódio
Julgando que em silêncio não se sofre
Sendo verdade essa mentira
Sendo o ódio para lá de ilusão
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